Empresário do PR que aplicou golpe de R$ 20 milhões em agricultores teve gastos elevados com estética e lazer enquanto estava foragido, diz MP
11/04/2026
(Foto: Reprodução) Justiça condena empresário por golpes no Paraná
Enquanto era procurado pela polícia por um golpe milionário contra agricultores, o empresário Celso Fruet, de 72 anos, condenado na sexta-feira (10) por crimes de estelionato, manteve gastos elevados com clínicas de estética, lazer e tecnologia, segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR).
“Os extratos bancários revelaram que, enquanto as vítimas enfrentavam prejuízos econômicos, ele mantinha um padrão de vida elevado, incompatível, inclusive, com quem queria pagar os credores, com gastos em centros de estética, tecnologia e lazer, inclusive no período em que esteve foragido”, afirmou a promotora Ana Carolina Lacerda Schneider.
Fruet está preso desde novembro de 2025, quando foi localizado pela Polícia Civil em Francisco Beltrão, após ficar cerca de quatro meses foragido. Ele foi condenado a mais de 16 anos de prisão por 126 crimes de estelionato, além de multa e da obrigação de ressarcir as vítimas em R$ 23,8 milhões, segundo o MPPR.
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De acordo com o Ministério Público, o empresário, dono de uma cerealista em Campo Bonito, recebeu e armazenou a produção de soja, milho e trigo de mais de 100 agricultores, mas não repassou os valores após a venda dos grãos.
As investigações apontam que, mesmo após vender a empresa para uma cooperativa da região, em junho do ano passado, ele continuou negociando com produtores sem informar sobre a transação. Fruet seguia recebendo a produção, mas não realizava os pagamentos.
A RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, procurou a defesa do empresário e o advogado respondeu que acredita haver um equívoco na sentença e a pena é desproporcional. Informou ainda que vai recorrer da decisão.
Celso Fruet ostentava carros de luxo nas redes sociais
Reprodução/ Rede Sociais
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Como funcionava o golpe
A cerealista de Fruet recolhia grãos de agricultores locais havia cerca de 30 anos. Segundo a investigação, ele atraía produtores oferecendo valores acima do mercado.
“Se a saca custava R$ 100, ele pagava R$ 104 ou R$ 105”, explicou a delegada Raiza Bedim, responsável pela investigação.
No fim de julho de 2025, o empresário sumiu após esvaziar os silos da empresa. Quando agricultores chegaram ao local, encontraram o prédio sem grãos, sem computadores e sem funcionários. A equipe foi informada de que a cerealista havia sido vendida e que Fruet havia deixado a cidade.
A polícia afirma que ele tinha sido investigado anteriormente por estelionato em Capanema e Virmond, com o mesmo modo de atuação.
Cerealista é investigada por aplicar golpe em agricultores
RPC
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Produtores relatam prejuízo
Entre as vítimas está a família de Marilete Pagani, que tinha 320 sacas de soja armazenadas na cerealista, cerca de R$ 38 mil. O dinheiro seria usado para pagar o tratamento do pai, que tem Alzheimer e Parkinson.
“Ficamos em desespero. A gente confiava, contava com aquilo ali. De repente, você perde tudo o que tinha. É uma revolta bem grande”, disse.
Fruet apresentava uma vida de luxos
Reprodução/ Rede Sociais
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