Marceneiro é preso por engano no Paraná, tem cabelo raspado e é solto dias depois após descoberta de erro sobre alvo de mandado

  • 19/06/2026
(Foto: Reprodução)
Vídeos mostram momento em que inocente foi preso por engano, e solto dias depois O marceneiro Felipe Penteado, que tem 21 anos e mora em Imbituva, na região central do Paraná, foi preso por engano após as autoridades descobrirem que o mandado de prisão foi expedido com o alvo errado. Durante a prisão, ele chegou a ter o cabelo raspado e foi mantido em uma cela na Casa de Custódia de Ponta Grossa, cidade a cerca de 60 km. O verdadeiro alvo era Wanderson Felipe Lick Penteado. Ele é investigado por integrar um grupo suspeito de caça ilegal e tráfico de armas e animais, que foi foco de uma operação policial na terça-feira (17). Na data, o marceneiro teve a casa invadida por policiais, por volta de 5h30, enquanto ele e a família dormiam. ✅ Siga o g1 Ponta Grossa e região no WhatsApp O inocente foi solto no final da tarde de quinta-feira (18), 53 horas depois da prisão, após a família relatar a situação à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, e a equipe de reportagem questionar a Polícia Civil (PC-PR) sobre o caso. "Acho que foram os piores dias da minha vida. Estar lá, junto com um monte de criminosos e sem dever nada, junto com um monte de gente sem poder falar nada, quieto, num canto, triste, e sendo inocente! É complicado", disse Felipe, em entrevista à RPC. À esquerda, marceneiro sendo preso pela polícia. À direita, momento que ele foi solto Reprodução O g1 teve acesso aos documentos relativos ao caso. O mandado de prisão continha os dados pessoais do marceneiro, como nome, número de documentos, nome da mãe e data de nascimento. No entanto, ao reconhecer o erro e pedir a soltura do inocente, a Polícia Civil admitiu que confundiu as pessoas devido à similaridade dos nomes. "No afã de cumprir com zelo as funções, nossa equipe incorreu em erro escusável. Ao considerar a pequena localidade de Imbituva, era praticamente impossível a existência de um homônimo. Porém, as pesquisas e diligências realizadas pela equipe policial acabaram por recair erroneamente em um homônimo. Assim constata-se realmente que a pessoa de Felipe Penteado, atualmente aprisionada é homônima da pessoa de Wanderson Felipe Lick Penteado, que utilizava o perfil nas redes sociais Facebook, como 'Felipe Penteado'”, escreveu a corporação. O documento também traz um print do perfil das redes sociais do verdadeiro alvo e ainda pede a adequação da ordem judicial para expedição de mandado de prisão para Wanderson. Nesta sexta-feira (19), o g1 questionou a Polícia Civil (PC-PR) se o novo mandado foi expedido, mas a corporação não respondeu. Polícia Civil pediu soltura após reconhecer erro Reprodução Leia também: Assassinato: CEO de franquia milionária é denunciado à Justiça por mandar matar diretor da própria empresa R$ 70 mil por 20 anos em escravidão moderna? Entenda por que indenização de fazendeiro a casal de idosos só considerou 5 anos e excluiu mulher 'Adoração perpétua': Freiras que vivem atrás de grades no Paraná se revezam para rezar 24 horas por dia Inocente vai pedir indenização Marceneiro é solto 50h depois de ser preso por engano O advogado Gabriel Pupo, que atua na defesa de Felipe Penteado, disse que vai entrar com processo pedindo indenização do Estado "pois, o que se espera, é o mínimo dever de cautela estatal". "É completamente inadmissível a não realização de mínimas diligências para saber quem realmente é ou não acusado, ainda mais quando se está diante de ações ligadas à Organizações Criminosas. Ao contrário disso, o Poder Público simplesmente manda expedir mandados de prisão sem a devida cautela e, após diversos recursos, a única resposta obtida é de que 'era praticamente impossível a existência de homônimo na pequena cidade de Imbituva', em que pese na cidade haver mais de 30 mil habitantes." Em nota, o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR) disse que não pode divulgar informações porque o processo encontra-se sob sigilo e que não se manifesta ou emite notas a respeito de suas decisões. Também em nota, o Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR) disse apenas que a operação não foi do MP-PR, e sim da PC-PR. O g1 também entrou em contato com a Polícia Penal, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. 'Eu não sabia o que estava acontecendo' Felipe Penteado Paulo Roberto Martins/RPC Em entrevista à RPC, Felipe Penteado conta que, no momento em que a polícia invadiu a casa onde moram ele, a mãe, o padrasto e o irmão, ele não entendeu o que estava acontecendo. "Ouvi o barulho; eles chegaram batendo em porta, batendo em vidro, gritando que a polícia chegou... fiquei nervoso, não sabia o que estava acontecendo. [...] Eles deram o mandado de prisão para Felipe Penteado, me algemaram e jogaram num canto e depois que contaram o motivo, porque estava sendo preso, explicaram a situação… e a gente ficou mais nervoso ainda, pois não tinha nada a ver". O marceneiro que foi preso erroneamente por caça ilegal ainda afirma que nunca se envolveu em nada do gênero. "Nunca nem peguei numa arma, nunca saí caçar, nem sei como é que funciona isso. [...] Eu sabia que isso ia ser resolvido, só não sabia que ia demorar tanto", afirma. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Campos Gerais e Sul.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2026/06/19/marceneiro-e-preso-por-engano-no-parana-tem-cabelo-raspado-e-e-solto-dias-depois-apos-descoberta-de-erro-sobre-alvo-de-mandado.ghtml


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