Polícia investiga morte de mulher no Paraná que fugiu de ambulância durante transferência para exame, entrou no mar e se afogou
09/01/2026
(Foto: Reprodução) Fernanda Pereira Zanick morreu afogada em Matinhos.
Cedida pela família
Fernanda Pereira Zanick, de 36 anos, morreu afogada no mar após fugir da ambulância durante uma transferência hospitalar do Pronto-Socorro de Guaratuba para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Matinhos, no litoral do Paraná, de acordo com familiares. O caso aconteceu no dia 2 de janeiro, no balneário Praia Grande, e a Polícia Civil (PC-PR) investiga as circunstâncias da morte.
Segundo a família, a vítima tinha diagnóstico de esquizofrenia e aguardava por uma vaga em um hospital psiquiátrico.
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“Minha mãe estava há 11 dias acompanhando minha irmã, que tinha esquizofrenia paranoide. Ela dormia no chão, em uma manta pra cuidar dela, porque minha irmã não podia ficar sem supervisão. Ela estava esperando sair um leito em um hospital psiquiátrico pra ser internada, pra sair do surto. Ela estava usando sonda, pois não queria tomar remédio, nem beber água, e mal se alimentava", disse a irmã, Cássia Pereira Zanick.
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A transferência para Matinhos, onde houve o afogamento, ocorreu porque o equipamento de raio-x do Pronto-Socorro de Guaratuba estava temporariamente indisponível.
Antes da transferência ser realizada, a família diz ter sido informada pela equipe de Guaratuba que a mãe de Fernanda poderia acompanhar a filha na ambulância. No entanto, no momento da transferência, ela disse que foi impedida de entrar no veículo por falta de espaço.
"Ele [enfermeiro] comentou que ela [vítima] teria que ir contida apenas, porém, não conteve. Ele não deixou a mãe ir e nem tomou conta", comentou Cássia.
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A fuga e o afogamento
Por volta da meia-noite, a mãe, Josiane Pereira, foi chamada para ir a Matinhos. Ao sair do pronto-socorro de Guaratuba, foi informada que a filha havia morrido afogada.
Em Matinhos, uma enfermeira relatou à mãe que, após a chegada da ambulância na cidade, a equipe desceu do veículo para aguardar a conclusão da transferência. Em determinado momento, durante uma distração, a paciente fugiu e foi encontrada no mar, afogada.
"Ela era uma pessoa com questões mentais, minha mãe deveria ter ido junto. A gente nunca deixava ela sozinha, com medo de que algo acontecesse, porque a gente sabia da situação", afirmou Cássia.
Para os familiares, houve negligência, descaso e falhas no transporte, além de falta de preparo dos profissionais que estavam responsáveis pela transferência da paciente.
Em nota, a Polícia Civil informou que abriu inquérito para apurar as circunstâncias da morte e que ouviu alguns profissionais de saúde envolvidos no caso. As investigações seguem em andamento.
O que dizem os órgãos públicos
A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA) informou que a apuração do caso cabe aos municípios de Guaratuba e Matinhos, responsáveis pela administração do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e das unidades de pronto atendimento.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Matinhos afirmou que a paciente era moradora de Guaratuba e foi encaminhada ao município exclusivamente para a realização de exame de raio-x, devido à indisponibilidade temporária do equipamento na cidade de origem. Segundo a secretaria, Fernanda permaneceu sob responsabilidade da equipe de Guaratuba e não chegou a ser admitida para atendimento clínico, internação ou acompanhamento pela rede municipal de Matinhos.
"Os fatos que resultaram no afogamento ocorreram fora das dependências das unidades de saúde do município. Após o resgate, foram adotadas todas as medidas de emergência pelas equipes competentes, com encaminhamento à Unidade de Pronto Atendimento, onde foram realizados os procedimentos cabíveis", afirma a nota.
A Prefeitura de Guaratuba informou que foi aberta uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte.
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde de Guaratuba informou que instaurou sindicância administrativa para apurar o óbito da paciente. Disse também que, durante o transporte, a paciente estava estável, acompanhada por profissionais de saúde, e a mãe concordou que não a acompanhasse.
"Destacamos que, segundo informado, a mãe não foi impedida, mas foi sugerido por um dos profissionais que o retorno do exame poderia demorar pois havia outros pacientes para o procedimento. Consta ainda que a responsável estava ciente e concordou com o encaminhamento", afirma a nota.
A secretaria afirma ainda que, já na UPA de Matinhos, a paciente deixou a unidade durante a espera pelo exame, que a equipe realizou buscas e acionou a Polícia Militar. O município lamentou o ocorrido e afirmou que seguirá colaborando com as autoridades.
Nota completa da Prefeitura de Guaratuba:
"A Secretaria Municipal da Saúde de Guaratuba informa que instaurou, de forma imediata, sindicância administrativa após a comunicação do óbito da paciente Fernanda, no dia 02 de janeiro, com o objetivo de apurar os fatos e a conduta dos servidores envolvidos, assegurando que todas as circunstâncias sejam devidamente esclarecidas com transparência e responsabilidade.
A paciente foi encaminhada para a realização de exame de radiografia, procedimento necessário para a verificação do posicionamento da sonda nasoenteral e para a continuidade da assistência médica adequada.
O deslocamento até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Matinhos, cerca 15 quilômetros entre unidades, tornou-se necessário em razão da instabilidade no funcionamento do equipamento de Raio-X da UPA de Guaratuba, registrada desde a madrugada do dia 31 de dezembro de 2025. A cooperação entre os municípios considera a proximidade geográfica e a garantia da continuidade do atendimento aos pacientes.
Durante o transporte, a paciente foi acompanhada por três profissionais, integrantes da enfermagem e motorista, juntamente com outros pacientes que também realizariam o mesmo procedimento. Na avaliação médica prévia ao deslocamento, a paciente apresentava quadro clínico estável. Conforme relato da equipe, a paciente encontrava-se calma e colaborativa, o que também levou a concordância da mãe quanto à não necessidade de acompanhá-la durante o exame. Destacamos que, segundo informado, a mãe não foi impedida, mas foi sugerido por um dos profissionais que o retorno do exame poderia demorar pois havia outros pacientes para o procedimento. Consta ainda que a responsável estava ciente e concordou com o encaminhamento.
Na UPA de Matinhos, a paciente evadiu-se da sala da unidade durante o período inicial de espera, em um momento em que a enfermagem prestava suporte a outro paciente. Os profissionais realizaram buscas imediatas nas dependências da unidade e em suas imediações, sem sucesso e diante da situação, acionaram a Polícia Militar.
O Município de Guaratuba lamenta profundamente o ocorrido e reafirma seu compromisso com a apuração rigorosa dos fatos. Em respeito à família e ao devido processo legal, eventuais esclarecimentos adicionais serão prestados exclusivamente às autoridades competentes".
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